Terminada mais uma época de futebol, que a desportiva ainda vai prolongar-se por mais algum tempo, sejam algumas modalidades ou o Mundial, espetáculo garantido pela globalidade das nações numa competitiva emotividade, e quase sempre motivo para desviar as atenções de outras leviandades ou desmazelos sociais…
Portugal, por maioria de razões é um dos favoritos, pela qualidade e moral dos jogadores, pela vontade e maturação popular, assim se escreva um novo feito épico em terras americanas…
Quanto ao Benfica, houve uma linha ténue que separou a Liga dos campeões direta e as morosas eliminatórias da Liga Europa, desfecho que não dependeu só do desempenho e vontade da equipa porque, tal como o timoneiro disse no final, os jogadores aguentaram-se de pé, não esmoreceram com os desaires nem com os adversos comentários…
Se pensarmos nos primeiros jogos, adaptação do novo técnico, logo no começo, na sofrida mas abnegada partida diante do rotativo Porto, em que soubemos resistir e afirmar uma identidade que fomos consubstanciando no desenrolar da época. Nem mesmo os jogos em Inglaterra impediram de lutar por um lugar europeu nos 1/8 final, conseguido com orgulho e memória contra o Real Madrid.
Todos sabemos que José Mourinho nunca deslumbrou pelo seu futebol, antes pela consistência e pragmatismo que evidencia no grupo, pela cumplicidade com os jogadores, para que estes, envolvidos, consigam conquistar objetivos. Na comunicação, alia a extravagância com a humildade, a sapiência e astúcia com a cordialidade, é dos poucos que, do alto do seu currículo, consegue falar descomplexado sobre todos os clubes, chamar os rivais pelos nomes, explanar as suas ideias positivas sobre o futebol em geral…
Se não é perfeito, se empatámos muitas vezes por falta de algum desembaraço ou falta de acerto, talvez também possamos dividir a culpa pelos jogadores e quem sabe pelo ruido de alguns adeptos que não sabem viver com prudência nem harmonia com a lei da vida…
Saem alguns jogadores que nos enchem de orgulho (obrigado Otamendi), depositamos esperança noutros, novos que conhecem e representam a realidade do Benfica (António, Neto, Banjaqui, Anísio…), temos o filão Prestiani…, a espinha dorsal do Aursnes, Araújo, Dedic, Schjelderup, e desejamos a confirmação do Rios, Dahl, Turbin, Sudakov, Ivanovic…
Um especial obrigado ao José Mourinho pela disponibilidade e dedicação demonstradas ao serviço do Benfica, ainda não foi desta que fizeram as pazes com o destino!
Claro que a explicação para o insucesso é muito complexa, que em alguma medida também se deve ao mérito do sucesso dos outros, nesta comunhão que é o mundo do futebol, um turbilhão de emoções que vai fluindo ao longo dum ano e não só dentro dos relvados.
Mesmo assim, se fizermos uma resenha aos últimos 10 anos, no que concerne apenas ao palmarés do futebol, o Benfica tem 4 campeonatos, tal como Porto e 3 o Sporting, já na Taça temos apenas 1 vitória... e o Porto, que reclama os mesmos ou mais títulos (ironiza com a taça Latina), na iminência de passar o Benfica, tem 24 que resultaram apenas da vitória num único jogo da supertaça!
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ÉPOCAS |
LIGAS |
TAÇAS |
SUPERTAÇA |
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2015–16 |
Benfica |
Braga (2) |
Sporting (8) |
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2016–17 |
Benfica (36) |
Benfica (26) |
Benfica (6) |
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2017–18 |
Porto (28) |
D. Aves |
Benfica (7) |
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2018–19 |
Benfica (37) |
Sporting (17) |
FC Porto (21) |
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2019–20 |
Porto (29) |
Porto (17) |
Benfica (8) |
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2020–21 |
Sporting (19) |
Braga (3) |
FC Porto (22) |
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2021–22 |
Porto (30) |
Porto (18) |
Sporting (9) |
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2022–23 |
Benfica (38) |
Porto (19) |
FC Porto (23) |
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2023–24 |
Sporting (20) |
Porto (20) |
Benfica (9) |
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2024–25 |
Sporting (21) |
Sporting (18) |
FC Porto (24) |
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2025–26 |
Porto (31) |
Torreense |
Benfica (10) |
Para além disso, cada vez mais somos confrontados com um rol de comentadores e as múltiplas opiniões, em tantos canais e meios de divulgação surgem conceituados especialistas a tentar explicar e compreender este fenómeno, quase nunca sobre a estratégia ou a bola que rola, mas quase sempre iluminados na sua dissertação…
E é neste mediatismo cada vez mais intenso que se vai diluindo a beleza do futebol, nas cíclicas imagens revistas em câmara lenta, no sofrimento duma derrota que não podia ter acontecido porque vai adensar ainda mais a fragilidade e a tristeza do quotidiano…
É evidente que a assertividade e a clareza da comunicação é muito importante e o Rui Costa ficou muito aquém, pelo seu discurso e oportunidade, ao contrário da sua intuição e experiência no departamento de futebol, mas também não vemos essa proeminência nos presidentes de outros clubes, que são cada vez menos associações, mas com a longevidade dos treinadores, com avultados investimentos, até vão ganhando alguns troféus…
Nesta altura, por todas as razões, o Marco Silva é o treinador ideal, pela sua experiência e pelo crédito que tem perante os adeptos, pelo seu percurso e ambição, pela qualidade e resultados que se pretendem no futebol.
Noutras circunstâncias, servia qualquer outro, com boas ideias, entusiasmo e alguma identidade com o clube poderia trazer a energia que o Benfica precisa, mas nunca haveremos de saber, seja qual for o cenário, só com o desenrolar de uma nova temporada, é que a história se irá delineando, assim estejamos, todos os adeptos, dispostos a participar dos acontecimentos e a fazer parte desta feliz obsessão…


