V. Guimarães 0:4 Benfica
A semana fazia a ultima curva matinal, as sacolas despediam-se de Março, na reta da meta o excessivo trabalho contrariava o desacelaramento escolar...
Abandonamos o circuito, desviamos pelo final de semana à procura doutras emoções...
Inesperadamente umas pingas vieram molhar o piso noturno, família dividida entre o basquetebol, a via sacra e uma partida de futebol..
Dei boleia ao pequeno para me acompanhar na lonjura do percurso, raspamos Lisboa até ao epicentro desportivo, e voltamos felizes no silêncio da madrugada, com a benção de Cristo luzídio...
Sábado foi o pequeno que requereu o serviço de transporte, para ir com ele ao futebol, fui eu que fiquei de fora das linhas, na bancada a ouvir musica, a ler e olhar a sua desenvoltura...
Depois, alguns chuviscos molharam o chão mas uma piscadela de sol secou o tempo e deu encanto à baia do Seixal...
Na luta nas alturas, as bolas ao cesto e os numeros no marcador ditarem mais um desaire, apesar da replica, da presença alargada da familia a aplaudir o jovem promissor...
No entardecer fomos para o hotel estrelado, ligamos a energia à ilusão do serão, a chuva que se manifestou lá fora ajudou à intimidade e à regeneração...
Domingo cedinho, ainda restavam uns baldes de chuva, fomos ao shopping, para compras essenciais, um café vigoroso, um livro para as férias do gaiato...
À tarde, o Senhor chamou por mim, fui ao monte das oliveiras, celebrar a festa dominical, ouvir as sentidas palavras de Jesus dirigidas à consciência mais profunda da multidão, que todos somos pecadores, em vez de pedras devemos estender as mãos...
O sol poisava na foz do Tejo, Lisboa deitava-se na luz projetada pelo rio, o Cristo abençoava a minha vida e voltei com mais animo e coragem para junto dos meus...
O Benfica ia jogar em Guimarães, depois da noite empurrar Portugal para a escuridão, o sol viajava pelos confins do oceano, passou ao largo do Funchal e afundou-se na direção do ocidente...
Os holofotes acendiam no condado, berço da nação, onde talvez pudesse começar a conquista do título nacional...
Como tinha adiantado Jesus apostou na equipa mais forte, apenas a entrosão do Lima ao lado do Cardozo, o Gaitan no lado esquerdo em detrimento do Ola John, o Maxi rendia o André, o Garay voltava à titularidade ao lado de Jardel, uma vez que Luisão não tinha recuperado...
No meio campo a dupla dinâmica, juntos são dinamite Matic e Enzo, o Salvio do lado direito...
Foi o Benfica que começou desde logo a acelarar o seu bolide encarnado, perante um Vitoria confiante mas muito novo...
A defesa vimaranense jogava em linha muito subida, o ataque do Benfica caia quase sempre em fora de jogo, numa jogada o Lima isolou-se mas o guardião veio à saida da área abortar as suas intenções...
De resto era o Gaitan que tentava sobressair, entrava pelo meio, o Lima abria na esquerda, mas o Vitória foi equilibrando o meio campo, favorecido pela subida e acerto da defesa, só que o ataque também não estava especialmente inspirado, o Matic e o Enzo cumpriam o seu papel com todo o afinco e competência...
Pela meia hora, depois de muitas tentativas, o Lima volta a esgueirar-se à linha defensiva, entra na área só com o guarda-redes pela frente contorna-o pela direita e é albarroado pela costas...
A grande penalidade é marcada pelo Cardozo que com grande calma e pontaria coloca o Benfica na frente à saída do primeiro terço da partida...
O Guimarães tenta não desmoronar, o Benfica ganha ainda mais confiança, o intervalo chega com o jogo controlado...
A segunda parte trouxe um Benfica mais acutilante com a pressa de resolver a partida mas com o decorrer do tempo o Guimarães consegue novamente equilibrar a contenda, com a equipa unida, meio campo lutador e o Benfica não consegue desenvencilhar-se daquela teia...
Contudo por volta da hora de jogo, pouco depois da exclusão, por acumulação de amarelos de um jogador da casa, o Garay aparece sobre o lado direito a fazer um chapeu com toda a classe, alcançando o segundo golo...
Até ao final, o Benfica tentou gerir o jogo, fazer posse de bola, o Guimarães apesar das contrariedades tentava disfarçar as limitações e lutar de igual para igual, ainda criou a melhor das oportunidades, com o Artur a defender a bola sentado em cima da linha, mas perante a tranquilidade e a motivação encarnada foi uma questão de tempo o dilatar do marcador...
Os adeptos da casa mostraram o seu adn afonsino, com o lançamento de varios petardos, dois deles para dentro da area, sem medir consequencias, medidas que devem contemplar toda a severidade...
Aos 79 minutos, o Ola John substituiu o Gaitan, já no findar da partida, aos 86, foi a vez do Cardozo permitir a entrada do Aimar, e do Rodrigo entrar para o lugar do Lima, aos 88 minutos...
Ainda foram alcançados mais dois golos, Salvio fez o terceiro e Rodrigo já na área rematou forte para completar a goleada de quatro golos com que terminou a partida...
Depois deste esforço extra, os jogadores merecem um prolongado repouso, vão mais satisfeitos para os seus países ou seio familiar, deixaram a massa adepta em polvorosa, com a ampliada vantagem na Liga...
No triduo pascal vamos receber o Rio Ave, com redobrado empenho, máxima concentração, pois cada um dos 7 jogos deve ser encarado como uma final...
Agora ficamos a torcer pelos bravos lusitanos, que a terra santa nos abençoe a campanha, para alcançar o desejado regresso ao Brasil...

Nenhum comentário:
Postar um comentário