terça-feira, 17 de março de 2009

Deixem o Treinador em Paz!



Desde que me lembro que sempre foi assim, no futebol, como nos diversos aspectos da vida quotidiana, os acontecimentos seguem sempre no tempo um percurso natural, são sempre o reflexo da evolução dinâmica que é imprimida pela civilização, constrangida pela imponente natureza, moldada por algo divino que nunca saberemos exactamente explicar…

A causa e o efeito estarão eterna e intimamente ligados, como um cordão umbilical que nos cria dependência, como o ovo que gera o milagre da vida mas não sabemos donde surgiu… mas para a nossa pequenez humana, temos que sempre arranjar um culpado, temos sempre que crucificar alguém, na esperança que haja uma consequente ressurreição, uma renovada esperança que nos faça alcançar a plena felicidade…

Esse Cristo, no futebol, é sempre o Treinador, a figura exposta, que transmite os ensinamentos aos seus discípulos (jogadores), que fala ao público antes e depois dos milagres (jogos), quem tem que saber lidar com as lesões, as insuficiências técnicas dos jogadores, a pressão dos adeptos, alguém que, na sua passagem pelo Clube, confrontado com tudo isto, compatibilize os bons resultados com a harmonia e a excelência plena…

Mas toda e qualquer glória, tem que assentar numa estrutura forte, é preciso que exista sempre uma abelha mestre que comande, sustente e suporte a azáfama e exigência constante de uma equipa ou de um líder, que está à mercê das pressões e da exposição mediática dos resultados…

Por maior número de razões, a grandeza alcançada pelo Benfica, é ainda mais sufocante, a responsabilidade é maior, mas na prática a tranquilidade, a seriedade e o trabalho árduo de fundo, de retaguarda, tem que ser o mesmo, porventura maior…

Cabe a cada um de nós, humildes adeptos, que amamos o Benfica, criar esse espírito sólido, um ambiente entusiasta, estarmos alerta mas consertados para fomentar esse estado de paz, de crença e união na obtenção do sucesso…

Claro que, se por um lado é a irracionalidade e paixão que arrasta multidões, que consegue mover montanhas, ajuda a superar dificuldades e a alcançar os objectivos, pois sem adeptos, público, nada nem ninguém tem sentido; ao mesmo tempo é preciso que haja moderação, bom senso, algum raciocínio prático e esclarecedor para que a adaptação e a inovação sejam consonantes com os propostos e ambiciosos objectivos…

O Carlos Queiroz, qual Mestre do Futebol, discute as questões de uma forma sábia, actualizada, não é como muitas figuras catedráticas, que ocupam cargos distintos ou alguma relevância no mundo de futebol, que discutem a falta, o fora do jogo, a acção disciplinar mais adequada, o toque intencional ou a intensidade… Disse o Mister, Senhor Queiroz (repito, que não é como alguns, que falam do obvio ou que nem sabiam dar um chuto na bola), entre outras coisas, e a propósito de uma pergunta sobre as definições desta Liga, que o sucesso, do FCP (por exemplo, português), tal como outros: Manchester United, Arsenal, etc… (e ele fala com conhecimento de causa), é sempre a grande estrutura organizacional, a seriedade e a voz de comando dos gestores dos clubes, a personalidade, acrescento eu, que se imprime nos projectos, a sua audível e distinta credibilidade…

Os treinadores, tem que sentir que o seu trabalho, não está à mercê dos comentários semanais, o seu julgamento não depende das crónicas desportivas, nem do apoio oscilante dos adeptos, tem que se sentir protegido, acarinhado, digo eu, para mais se tem já provas dadas de competência..., para que possa ganhar asas (palavras do Carlos Queiroz), e poder voar mais alto, como aconteceu com o Jesualdo Ferreira ou o Fergunson, que é o expoente máximo desta teoria, mas mesmo ao nível de jogadores também se pode aplicar esta máxima…
...Acrescentou ainda que sente no Benfica actual uma certa mudança com vista a uma maior estabilização…

Por isso, digo eu, deixemos o Quique trabalhar, demos-lhe o alento e a confiança para o futuro, para mais uma época (ou duas), ele tem que sentir essa onda de apoio, se não, pura e simplesmente, vai-se embora, não quer saber de nós, de alguém, que o critica e não lhe tem respeito nem estima…
O Rui Costa é a pessoa adequada para blindar com firmeza e carisma o Benfica, proporcionar esse bem-estar favorável a uma abundante sementeira, mas temos que o ajudar…

Depois, dizem alguns, o nosso problema é falar sempre dos árbitros, não entrar em campo com outra postura, criar uma dúzia de oportunidades e concretizar meia, para estar ao largo de qualquer possibilidade..., mas o FCP, ninguém pode afirmar que não beneficiou desse compadrio e obscuras influências, a sua força, actualmente, ainda está a usufruir desses rendimentos menos lícitos... mas eu também sei que a força de uma qualquer equipa, passa antes de mais pela sua própria fortaleza e autenticidade, mas esta só se consegue com o somatório de um série de factores e condicionantes…

Para mim, a força do FCP também passa, pela positiva, pela revolta e convicção de mentalidades, baseados na teoria da vitimização (talvez sentida!), que o Norte era subjugado pelo Sul, que o Benfica, principalmente, era aliado do estado, pela inveja da sua maior amplitude, claro que também foi pela vincada personalidade nortenha…
(Outro exemplo, deste fim-de-semana, foi o jogo de Voleibol com o Guimarães, onde, no seu reduto com o apoio frenético e envolvente do público, os vimaranenses inverteram um resultado de 2-0, numa esforçada vitória no encontro)

Por outro lado nós não tivemos esse entusiasmo, o nosso cavalo de batalha era permanecer grandes só porque o já éramos, sem que fizéssemos algo, ou arranjássemos uma motivação extra para o merecer ou sustentar… Pelo contrário deixamo-nos enlevar pela corrente do tempo, despedindo e contratando jogadores ao sabor de cada treinador que também chegava e ía com a mesma facilidade…

Deus queira que perante esta minha visão, inevitavelmente redutora e curta da história recente do Benfica, que a minha profecia falível em relação ao futuro, a minha análise modesta e ignorante sobre a realidade presente, possa ter algo que mereça reflexão ou que faça pensar e alterar comportamentos contribuir para um futuro mais risonho…

2 comentários:

a.rodrigues disse...

Muito bem. É preciso mudar em relação a anos anteriores que a nada conduziram.
Embora reconheça várias falhas sou apologista de que o treinador deve cumprir o seu contrato de 2 anos.
A.Rodrigues-sócio 7573.

Nuno@ disse...

Amigo estiveste muito bem, a tua referência ao comodismo de já sermos grandes é, para mim, a principal razão de todos estes anos de desnorte. Espero que este artigo ajude a mudar mentalidades, mesmo uma que seja será extraordinário, poderá ser o embalo para uma corrente maior.
Haja paciência e perseverança.