sábado, 14 de março de 2009

O gelo de Sábado à noite!


Benfica-0-Guimarães-1

Depois do dia primaveril, da ida vespertina ao complexo da Luz – piscinas, sentindo de perto o ambiente familiar, caloroso que emoldurava o anteceder do jogo. Depois do regresso apressado ao lar, com a mesma rapidez que aumentava a adrenalina e o bater ritmado do coração… Mal eu sabia o que ainda me estava reservado, o fim triste e abrupto que a ausência solar iria precipitar, a pobre exibição que o Benfica iria apresentar, a frieza e a eficácia que o Guimarães acabaria por demonstrar.

Agarrado à televisão, o que vai acontecendo por esse mundo fora, tem descrebilizado um pouco essa caixa que já foi mais mágica, é o futebol, mormente o Benfica que continua ainda assim a perpetuar essa ilusão. Uma crença infindável, uma satisfação indiscritível, uma empolgação incontrolável, uma irracionalidade para a qual não encontro explicação…

À medida que os minutos iam avançando, que o Guimarães ia conseguindo dominar, que o Benfica ia desacreditando, ficando sem soluções, à medida que a bola emperrava na sólida defesa vimaranense,
com o Nilson que se inspira quando vem à Luz, os jogadores iam caindo em desânimo e sufocando a inspiração, fazendo sofrer e amornecendo o público presente, a enorme falange de apoio que se tentava conciliar com o visor, devolvendo alegria a uma alma estilhaçada.

Com a segunda parte, sempre reciclamos alguma esperança, mas desde logo se viu um Guimarães mais confiante contrastando com a apatia encarnada… após uma hora de jogo, com a saída do Cardoso, a culpa não é só dele, a bola não chegava à área, mas chega a ser enervante ver um jogador que em 60 minutos, mal tocou na bola e quando lhe tocou não lhe deu o melhor seguimento.
O Di Maria deu o estouro pouco depois, mas já se vê com mais consistência e interveniente a par com o Reys, apesar da comum inconsequência, o David foi dos mais inconformados, o Maxi dá o máximo para estar em bom plano, O Yebda é muito esforçado mas peca na entrega da bola, o seu lugar natural é a trinco, por sua vez o Katso ou o Amorim tem que estar mais próximos da área contrária...
No computo geral nem foi um mau jogo, mas a fortaleza da cidade berço foi intransponível e soube tirar dividendos da ansiedade e da escassez do tempo para chegar, mesmo por 24h, ao topo da classificação...

Assim, não se estava a advinhar um grande fim, muito menos depois daquele jogada fulminante, que viria a resultar no golo adversário..., mesmo com vinte minutos pela frente, o único milagre que se ousava pedir, já era somente o empate, para não cairmos na desgraça total, no primeiro desaire no nosso reduto...

Numa Liga intensa e na qual soubemos impor alguma combatividade, mesmo com exibições pereclitantes, apenas tinhamos registado duas amargas derrotas fora, agora já o Cajuda pode escrever o tão desejado livro, de coração benfiquista, pela tão ousada e desejada conquista... numa tal noite desastrosa, em que o Guimarães soube defender, soube sofrer, teve alguma sorte e marcou, numa única jogada digna desse registo, com a obtenção dum golo que nos prostrou por terra…

O futebol é isto, é antes de mais saber defender, não sofrer golos, depois é esperar que uma jogada aconteça, seja pela confiança adquirida ou pelo esforço merecido… o futebol é também o que se não deixa jogar e nisso o Benfica não tem sabido conseguir evitar, imprimir uma pressão alta e constante… Claro que as equipas mais modestas em palcos grandiosos e com equipas mais fortes trazem uma motivação superior que é tanto mais empolgante e fluente se forem adquirindo a confiança, seja a trocar a bola, seja a aniquilar o jogo ofensivo e a adiar um resultado negativo…

Continua a notar-se a falta dum maior entrosamento, fluidez de movimentos, aquele livre combinado do Reys para o Aimar, que quase resultou é um exemplo, a confiança teima em não soltar-se na sua plenitude, mas o caminho é lento é preciso ter paciência e continuidade...

É assim que eu, sem muito para dizer, sem inspiração, com movimentos lentos, escrevo estas linhas, com o fim de semana estragado, com a desilusão e o gelo de sábado à noite. O serão adivinha-se longo, com suores e pesadelos, para mais, quando escrevo, o Sporting ganha ao intervalo por duas bolas e com um jogador a mais, é certo que nos vai roubar o segundo lugar... esperamos que para a semana lhes roubemos a Taça…

Para a semana, com a chegada da Primavera, em definitivo, num jogo escaldante, em terras algarvias, vamos esperar que a sorte, o empenho e o brio estejam do nosso lado, não podemos alimentar muito mais esta tristeza, se não a velhice vai sair-nos muito cara, sem perspetiva de reforma e sanidade...

Ou então, talvez que um dia me vá habituando, ou que as coisas se invertam, só temos que viver um dia ou uma semana de cada vez, tentando readquirir o ânimo e o desgaste psíquico com as alegrias que a vida traz de surpresa, com a fugaz mas derrompoante felicidade, amadurecer com o crescimento dos filhos belos e saúdáveis, com uma esposa zeladora e carinhosa, afinal nem tudo são desgraças…

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