quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Levámos um soco antes de massacrar!


Benfica 2:1 Estugarda

A semana começou vacilante na fraca amplitude luzente, depois de assegurarmos a presença dos estudantes nos respectivos estabelecimentos, levaram doçaria alusiva à efeméride, que a mãe fez questão de confecionar, com os cumprimentos do cupido… pois o amor andava no ar, muito por culpa do Valentim casamenteiro…

O crepusculo luminoso que se avistava da periferia, começou a esmorecer, depois do doce momento, caminhava eu pelos passeios, na direcção do trabalho, quando uma borrasca começou a flagelar a cidade, profecia dum temporal fustigador, para gáudio dum Fevereiro desaforo…

O tempo continuou inconstante, chuva intensa trazida pelo vento, trovoadas que descarregavam água, horas fio, noite fora… Entretanto, chegados a meio da semana, alguns espectros de luz ressurgiram na espessa obscuridade, projectando arco-íris no horizonte… e a noite acabou com futebol de outra galática, jogado em Londres, com o Arsenal a dobrar o firme Barcelona…

O dia mais desejado, 5ª-feira, começou mais desanuviado, apesar da preguiça matinal, o sol veio ajudar a alegrar o povo amigo do Cristo Rei, espreitando sempre que podia, empurrando as nuvens e piscando o olho à cidade com elevação e teimosia…
Era dia de aniversários, de pessoas de família, mas o trabalho impunha o seu ritmo diário, ligações pedestres ajudavam a apreciar o panorama, uma claridade doirada persistia na atmosfera…

A tarde ia avançando, o nervoso miudinho aumentava, o ruido radiofónico espalhava ansiedade. No lar, a Box estava preparada para gravar, assim confiava eu na tecnologia, mas não resisti a espreitar, por uma janela, aberta ao acaso no meio das tarefas, só para olhar o ambiente, ficar com uma imagem do jogo...

As breves impressões mostraram um Estugarda aguerrido, um Benfica que queria sair e manobrar, mas que não conseguia imprimir velocidade e dinâmica, talvez por isso o video também emperrou, boicotou a subversão ao trabalho, adivinhando o pior, o golo adversário…
Então, a primeira parte foi prosseguindo, no frenético relatar, o fim da primeira parte anunciava a hora de saida, e uma tristeza dilacerante apoderava-se do meu coração, separado que estava, tão distante, da frente do meu televisor…

A viagem de jacto, voando sobre passeios, escadas e carris, ainda me deu a admirar a lua, quase redonda, que estava pendurada no cimo dum amontoado de névoas, enquanto não descia veloz, por entre a escuridão dos altos condomínios, para aterrar no meio do consolo familiar…
Ainda passei pelo café, para saber o resultado, mas permanecia a desvantagem. Já em casa, fiquei hesitante, entre acompanhar mais de meia hora até final, mas depois de me certificar do R vermelho na Box, fui partilhar a mesa da refeição familiar, com a maior das descontrações, antes de ocupar, sozinho, o sofá privilegiado, em frente do panoramico visor…

De repente, com o comando na mão, o coração a saltitar, a dúvida ainda presente, no desfecho da partida, pus-me a ver o vermelho europa, a excitante partida de futebol…
O Benfica, foi surpreendido por um Estugarda muito pressionante, o Aimar estava muito marcado, não conseguia fluir o jogo do meio campo, nas extremidades também estava dificil entrar, e eis que surge o golo, depois do minuto 20, após uma magnífica desmarcação, com uma chapelada ao Roberto…
Vieram as recordações do embate com o Shalke, na mesma poderoso e com mentalidade germânica, mas o Benfica, desta feita, estava mais forte, e o Estugarda também não evidencia o mesmo poderio técnico e jogadores tão dotados… Seja como for, o intervalo chegou sem que tivessemos chegado à baliza com muito perigo, muito embora a batalha do Jara, este não tinha o traquejo internacional nem a sagacidade do Saviola, e a bola quase não entrava na grande área… Ainda assim, mesmo no final do primeiro tempo, um lance do Coentrão poderia ter dado penalti, não fosse este não ter sabido cair, pois existiu mesmo contacto com o guardião…

Com o reatamento, começava eu a pensar, homem de pouca fé, que o Benfica, estava muito acima das equipas nacionais, mas falta-lhe ainda muito arrojo e confiança para lutar contra as europeias, quando as jogadas de perigo começaram a surgir, primeiro o Coentrão, depois o Aimar, os livres nas imediações da área, os cantos e as defesas do guardião alemão.
Depois começou a aparecer o empenho dos jogadores, a dinâmica colectiva, um super Maxi que se fartou de correr, atacar e defender, começámos a pressionar alto, a empurrar o Estugarda para trás, contra as cordas, a dar socos, a massacrar e eis que os golos começaram a aparecer, primeiro o Cardozo, à meia volta, com um potente remate (até que enfim voltou a marcar - está perdoado pelo jejum), decorria o minuto 70, e mais tarde, depois de um remate do Jara do meio da rua, que saiu enrolado, com outra encomenda de chapéu, só para retribuir o presente…

Até ao fim, o esforço continuou, o Coentrão de alta voltagem, colou a bola aos pés, levou-a até à área e centrou..., o Maxi combinou com o Menezes, cada um teve uma chance de rematar à baliza..., o Javi bem quis sentenciar a eliminatória..., o Kardec teve uma perdida incrível, antecepindo-se ao guarda-redes..., mas o resultado acabaria por não sofrer mais alterações, e partida terminou com o Estugarda completamente esgotado, a baquear, à espera do gongo final…

Afinal, ainda fomos a tempo de fazer uma boa exibição e alcançar uma justa vitória (a fazer lembrar a vitória com o Liverpol), mesmo que traiçoeira, com o golo sofrido, tendo em conta que começámos o jogo a perder, a forma brilhante e esclarecedora como demos a volta ao marcador, a convicção e a superioridade demonstrada dão-nos algum alento para abordar a segunda mão, com alguma motivação e expectativa, sempre visando a obtenção de um golo, sem descurar a defensiva, tentar alcançar outra vitória…
Claro que é importante não perdermos a clarividência e o desnorte, em terras germâmicas a sorte não nos tem baforado, por isso temos que nos precaver e concentrar de uma forma categorica e determinante…

As restantes equipas europeias tiveram um bom comportamento, com os azuis mais bem cotados, mas todas as cores tem hipoteses de discutir a eliminatória. O fim de semana vai ser marcado por comemorações natalícias, esperamos um tempo periclitante mas a saúde sempre presente, enquanto esperamos que chegue o embate com o rival de Lisboa, para chegar mais perto da liderança, imperturbaveis com as feridas do leão, afirmando a nossa forte personalidade… Força Benfica!

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