domingo, 22 de janeiro de 2012

O poleiro é só para um galo...!

Benfica 3:1 Gil Vicente

Foi ainda naquela noite, santa e clara, que o Cristo me saudou na vigília da noite, convidando ao sonho, sossegando o medo do acordar...

A semana continuou a acolher o sol pela manhã, amarelando os telhados, revestindo os condomínios, afagando as entranhas da cidade... enxugando o orvalho que nos fazia deslizar pelas avenidas...

6ª-feira trazia no regaço o final da semana, mesmo que nuvens viessem esbranquiçar o horizonte, o encanto desfazia-as em pedaços de algodão no azul, até que o serão viu nascer o enlevo, na sala das visitas, com a solene presença da avó-mãe…

O Sábado enlaçou o fascínio no espreguiçar do fim de semana, em pleno Janeiro, primaveril, levando a cada um o seu motivo, os do meio seguiram para as capitais, do país e de distrito, os das pontas quedando-se pelo concelho: o minorca em louca correria no relvado e eu um espetador sardão exposto à fulgente radiação solar que incidia sobre as bancadas...

Com o dia tão azul nada melhor que viajar pela costa, península extensa e sedutora, primeiro com apurado almoço na faustosa Quinta do Conde, antes da ida àbeira do Sado, que trazia novas do sul, aspirando o ar puro da Arrábida, onde fomos resgatar o "mestre", participante num torneio de xadrez…

Retorno pelo Conde, que tem sempre ao dispor os seus aposentos, para mais um abastecimento, um dedo de conversa, uma mão cheia de ar livre, antes de rasgar a noite com farois intensos, com o Cristo guia a indicar-nos o local da familiar constelação…

O Domingo trazia o mesmo brilhar, de sol e vida, mas as janelas retardaram o feitiço da luz, a paz prolongava o sono por detrás das cortinas… escancarámos então as janelas do restaurante panorâmico, com vista para o sossego do bairro e deixámos a tarde entrar com todo o esplendor…
E a noite caia mais uma vez lá fora, apregoando ao serão promessas doutra semana de afronta e rotina, mas uma Luz havia ainda de reluzir alto e alumiar as trevas desde Benfica…

O orçamento ainda contemplava o corte na SportTv, pelo que tive que recorrer à navegação pirata, por entre mares revoltos, que me levaram até à russia gelada, dum certo canal de televisão…
O país ainda estava voltado para a cultura do Minho, os vizinhos de Barcelos, vinham à Luz por à prova a mentalidade encarnada e a sua determinação em continuar na liderança… 
Depois de alguma indefinição ao longo da semana nos treinos, e de ultima hora quanto ao visionamento da partida, eis que, duma pequena janela, consegui ver qual a equipa eleita para calar o cantar do galo e continuarmos nós no poleiro…

A mesma muralha defensiva, com o Gaitan e Nolito a fazerem as incursões laterais, com o apoio do Witsel brigadeiro no centro da batalha, o Rodrigo possante, mais adiante a servir de ajuda ao atacante de serviço, Cardozo… mas o tempo ia avançando e não sei se eram as imagens do computador ou o futebol do Benfica que ia emperrando, embaciando o meu encovado contemplar…

Algum mérito havia na abordagem gilista, mas os encarnados não acelaravam a bola, talvez pensando que em qualquer instante o golo iria aparecer, a vantagem no marcador já era pré-requisito para chegar ao intervalo…
Mas cada jogo tem a sua história, só o empenho e um arreigado fulgor, uma corrida estonteante, uma luta sem igual, pode levar de vencida cada batalha… e o golo antes da meia hora, demasiado tarde para conseguir mais golos na primeira baliza, ainda veio dar mais excesso de confiança, em vez de entusiasmar…

E foi mais um empate, depois dum pontapé do meio da rua, que se registava quando todos regressaram ao balneário, para a costumada pausa, puxão de orelhas ou correção de estratégias e atitudes…o segundo tempo, contudo não conseguiu traduzir grandes melhorias...

O Gil, em cada minuto que passava, injetava-se de confiança, o empate era a almofada que os levava a acreditar noutro sonho maior, sem descurar a cerrada defesa… o Benfica ia trocando a bola, atrofiado com a sua lentidão e com o vigor forasteiro, apesar de tudo, ia fazendo por merecer o apoio do publico e a sorte…

O Rodrigo era o mais incoformado e lutador, o Nolito tentava furar por entre as muitas pernas, o Maxi encheu-se de bravura, mas foi o Rodrigo, num missel desgovernado que fez o projetil esbarrar nas redes da baliza, para gaudio dos adeptos e folga do nervoso galopante…

E num ápice, o Aimar, que ainda estava com pouco ritmo, apareceu isolado, depois dum passe rasgado do Nolito, a rematar para o terceiro golo, fazendo descansar a massa adepta e resolvendo mais um jogo a nosso favor…

Enquanto não se desfez o empate, o Gil ainda teve algumas oportunidades, o Benfica andou um pouco à deriva, mas acabou por imperar a lei do mais forte, e foi pelo mar do norte, que eu reentrei no Atlântico e atraquei no belo porto de Lisboa, me entreguei à madrugada, no doce embalar dos sonhos, tarde demais para seguir em frente, cedo demais para voltar atrás…

Para a semana vamos à Feira, para agarrar a liderança com toda a ambição, pois só com bravura continuaremos na senda das vitórias, antes do Fevereiro que nos há-de catapultar com toda a pujança para os altos voos da águia sobre o esplendor da terra… 

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