domingo, 8 de janeiro de 2012

Vire à esquerda em Leiria... até Lisboa!


Leiria 0:4 Benfica

Dia após dia o ano foi ludibriando a lentidão por entre tardes soalheiras e prolongados sonos de orvalho, espalhando desejos no brilho das estrelas...

Depois do regresso do futebol, da vitoriosa conquista, também nós retornámos aos pavilhões, desafiando o stock calórico, calcorreando os serões pelos caminhos do ser...

Apesar do ano estar acorrentado pela crise, os Magos quiseram anunciar a sua presença com a costumada e sumptuosa aparição, de manhã houve a cantoria dos reizinhos meninos, hino de exaltação para a folgada tarde soalheira… com visita à oficina, passagem pelo comércio, acabando a semana nas salas de aula dos catraios para as periodicas reuniões escolares… finalmente à noite chegaram os presentes dirigidos aos tesouros da habitação...

E o espírito de Natal foi deixando-se enlear pela fria madrugada, apenas deixando ternas lembranças, e o amanhecer de Sábado desvendou novamente o futebol e a catequese, enquanto a casa se redecorava sem as decorações natalícias. Na luz imensa do horizonte, na quentura da tarde, aproveitámos para visitar os confins da península, inspirar o aroma de pinho, trocar o carro pela bicicleta…

Domingo, quisémos levantar cedo, aproveitar o tempo sadio, agarrar o ano com entusiasmo, avivar o olhar nas repetidas ruas, reiventar maneiras de estar, fugindo à rotina, ávidos duma perfeição difícil de estabelecer... uma paz nem sempre fácil de encontrar…

Então quis levar de novo a minha presença à missa, da Epifania (no final havia o Beijo ao Menino Jesus), já a tarde preparava a reclusão da paisagem e me devolvia ao anonimato do bairro. Antes de entrar em casa, no auto-rádio inteirei-me sobre o jogo que estava prestes a começar na Marinha Grande… o Aimar e o Gaitan tinham ficado KO, o Leiria já não sofria golos em casa desde Setembro, o Benfica marcava hà 33 partidas sucessivas…

O aparato estava montado, a primeira parte decorreu no cenário da sala, com toda a assistência e entronização, ali mesmo defronte, aos pés do televisor… os 7 magníficos, mais defensivos, intocáveis, os alas e os atacantes formavam finalmente duplas conjuntas, com o Nolito e o Bruno César, de princípio a fim, a servirem o Rodrigo e o Cardozo, no final substituidos por Saviola e Mora…

O campo da Marinha Grande estava composto, a claque da zona do Pinhal, quis manifestar o seu apoio, combatendo o frio, e o Benfica não quis defraudar os intentos e fez aquecer o seu frenético ímpeto logo com um golo madrugador após um potente pontapé à entrada da área sem hipoteses para o guardião. Quando a bola veio do Rodrigo, descaido na esquerda e sobrou para o Bruno eu bem lhe disse: “chuta-chuta” (com o pé esquerdo) faz jus ao teu nome - e ele não se fez rogado, já que lhe atribuem a fama…

O clima começava a ficar mais ameno com tanto frenesim, apesar da boa replica caseira, outra coisa não seria de esperar, nas equipas de mente sã do Cajuda, e o Jesus bem se podia queixar da sua competência, pois em 13 partidas, levava apenas duas vitórias e outros tantos desaires… Mas este jogo foi correndo de feição, o Benfica tentava segurar, circular a bola, os Leirienses não arriscavam muito, a confiança encarnada e a sua acutilância não se podiam desdenhar, e assim, apesar do caudal ofensivo, como não se proporcionaram muitas ocasiões flagrantes, aceitava-se a escassa vantagem ao intervalo…

Nos momentos de incursão pela cozinha, fiquei retido mais do que o previsto, os sabores assim o exigiram, e quando voltei ao écran, depois duma mudança estratégica para o quarto, para dividir as afeições telivisivas, já o Cardozo tinha feito o gosto ao pé (esquerdo), ampliando o marcador…

Já o jogo poderia ser mais controlado, toda a segunda parte digerida com outra predisposição, mesmo sem tirar o pé do acelarador… e os laterais assim o entenderam, e trabalharam muito com os seus comparsas da frente, o Emerson deu muito nas vistas, quase sempre com acerto, o Rodrigo para além de ser “matador”, também sabe vir atrás e correr atrás da bola perdida, e foi o Javi que teve que se sacrificar com o afoito e a subida dos outros jogadores, não conseguindo escapar à amostragem do cartão…

A toada manteve-se, o Leiria tentava-se a salvar a honra, estava desmoralizado perante a avalanche encarnada, o Rodrigo aproveitou para bisar e em três minutos aumentou o resultado para 4 golos sem resposta (com o pé esquerdo)… Até final ainda surgiram outras jogadas corridas, envolventes, nas imediações da área do Leiria, que respondia como podia com alguns ataques rápidos, mas a goleada não havia de aumentar, ficando pelos 4 golos, a exemplo do último jogo no Minho…

Na próxima semana, Sábado pela mesma hora, chegados à Capital, já libertos das amarras da liderança, devemos continuar destemidos e arrojados na conquista da vitória; de Setúbal vem a equipa que é preciso fazer desmoronar, com muito afinco e determinação, para dobrar a Liga com toda a pujança, visando enfrentar os redobrados desafios e as gloriosas conquistas

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