Benfica 0:0 Sevilha (2:4 g.p)
O Maio subia pela encosta do tempo, o calor intensificava a caminhada, uma chama trémula que invadia a noite na firmeza da passada...
Era em Turim que, quase todos, queriam prolongar o sonho, depois da inabalável devoção mariana, enquanto a noite sossegava a agitação da cidade, a casa era o éden ideal para preparar a alma...
O Benfica jogava dum vivo encarnado, a equipa estava confiante, mas não era certo, mesmo com favoritismos teóricos, mesmo que fosse uma questão de justiça, por termos sofrido o desgosto do ano passado, que fossemos ganhar...
O Benfica, dos últimos anos, já voltou à sua grandeza europeia, mas uma vitória iria consolidar ainda mais esse estatuto, alargar esse rico palmarés. No vale dos Alpes, a equipa tinha tudo para ficar no topo do mundo.
E nenhuma glória é suficiente heróica se não tiver um pouco de sofrimento, e até isso nos atraiçoou, pois apenas nos faltou a vitória.
Uma glória que fugiu nas diversas oportunidades ao longo do jogo, no querer e ambição dos jogadores, esbarrou nas grandes penalidades, depois de duas horas completas de jogo durante as quais o Benfica foi superior mas não conseguiu ter o discernimento necessário para marcar e tocar o céu.
Por isso teve tudo de se decidir nas grandes penalidades: no fim de um 0-0 que penalizava sobretudo na formação encarnada, a que mais fez para ganhar este jogo.
As grandes penalidades, já se sabe, são um jogo da sorte e Beto foi decisivo ao defender os remates de Cardozo, apesar dos passos descarados para a frente, e Rodrigo, enquanto no Sevilha todos marcaram.
Parece mesmo uma maldição, é impressionante que em 8 finais europeias, por uma razão ou por outra, nestes 52 anos passados, não consigamos vencer de novo, para alegria e orgulho de todos os benfiquistas e portugueses, mas resta a honra e a glória dos vencidos, dos jogadores incansáveis, que tudo fizeram por escrever outra história...

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